02 de janeiro, 2016 0 Comentários

Série Rebelião e Redenção – #01 Crise no Céu

LIÇÃO 1 – Crise no Céu

“Ao nosso Deus, que Se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação” (Ap 7:10).

Objetivos:

Conhecer: O grande conflito como uma luta universal entre o bem e o mal.

Sentir: A guerra contra o pecado em sua própria vida e no mundo que o cerca.

Fazer: Aceitar Cristo como Senhor para ser vitorioso na luta contra as forças do mal.

 

Provavelmente uma das coisas mais importantes para o estabelecimento da identidade de alguém é uma correta compreensão de sua origem.   Não por acaso, essa é a pergunta primária dentre as 3 mais importantes da Filosofia – De onde viemos.

Longe de um questionamento puramente físico da origem, o que se busca filosoficamente com esta pergunta vai muito além do fato de se formos criados ou somos um fruto casual da matéria evolutiva.

O que se pretende encontrar é o contexto, a existência ou não de um desígnio, aquilo que nos defina o sentido da existência, seu propósito, suas razões e intenções mais profundas, algo que satisfaça de forma plena a necessidade de explicações que a razão humana impõe sobre sua própria história.

Por essa razão, olhar para a existência humana sob uma perspectiva bíblica nos obriga a descortinar o antes deste mundo, o passado do nosso passado. (Neste momento, meu conselho a você é que se debruce sobre os livros História da Redenção e Patriarcas e Profetas, e conjuntamente com esta lição, reflita sobre o primeiro capítulo dos dois livros).

O primeiro objetivo da lição desta semana nos remete invariavelmente a uma pergunta clássica, e recorrente – Por que num Universo perfeito, surgiu o mal.  Embora essa pergunta guarde certo sentido lógico, a limitação humana nos conduzirá à consequência inevitável da pergunta – Deus é o Criador do mal.

Este é o problema quando tentamos usar a lógica humana finita para explicar o infinito. Por essa razão a Bíblia nos remete a uma daquelas respostas frustrantes de que não gostamos, mas precisamos ouvir – Algumas coisas são um Mistério para a razão. Este é um deles, ao qual a Bíblia chama de – Mistério da Iniquidade.

“O pecado é um mistério, uma coisa inexplicável. Não há razão para sua existência; procurar explicá-lo é procurar dar uma razão para sua existência, e isso seria uma causa para sua justificação. O pecado apareceu em um universo perfeito, algo mostrado como inescusável e excessivamente pecaminoso. A razão de sua origem ou desenvolvimento nunca foi explicada e nunca será, mesmo quando chegar o grande dia do julgamento, quando o juízo for estabelecido e os livros forem abertos” (A Verdade Sobre os Anjos, 296)

Ainda assim, existe algo que me incomoda na pergunta, e não na resposta. Como professor de Filosofia, sinto-me tentado a pensar que o problema com a pergunta sobre a origem do mal é que talvez esta não seja a pergunta importante, e tampouco a primeira pergunta. Portanto, quando fazemos uma pergunta secundária para tentar descobrir um problema primário, nos prendemos ao que chamamos de falácia da lógica. Não que isso invalide o fato de que a origem do mal seja um mistério, mas apenas que talvez existam perguntas mais importantes que antecedem a esta, e que para estas perguntas existam luz e algumas respostas importantes.

Vou dar exemplos – Por que Deus criou seres livres e não robozinhos? Se Deus criou seres livres, discordar de Deus era uma possibilidade real? Seres realmente livres tem a opção de contestar seu Criador? Alguma criatura livre possui vida em si mesma? Caso não possuam, é possível imaginar que contestar o Criador implicaria em perder a vida?

Estas perguntas, e uma série de outras, estão amplamente abordadas na Bíblia e nos dois livros que sugeri. A compreensão das respostas nos conduz de forma precisa e inequívoca à compreensão correta do caráter de Deus, enquanto a pergunta curiosa sobre a origem do mal, nos fecha num ciclo vicioso cuja consequência é a descrença na legitimidade dos métodos e escolhas do Criador.

Portanto, você terá que escolher entre ficar com uma pergunta sem resposta, ou perseguir as respostas das milhares de questões para as quais Deus descortinou o pano no todo ou em parte, mas sempre o suficiente para fazer crescer sua fé enquanto vive neste mundo IMPERFEITO.

Aliás, voltando agora ao centro da lição, a dúvida, fruto de uma razão plenamente livre, é o início de duas coisas fantásticas – o Bem e o Mal.

Antes que você me chame de louco, deixe-me explicar. Sim, o bem e o mal são fantásticos. Não fora assim, Lúcifer, Eva, Adão, você e eu, não escolheríamos o mal. Eu não disse que o Bem e o Mal são bons, e nem que ambos são perfeitos, tampouco estou defendendo a idéia Oriental de que ambos sejam eternos. Apenas disse que ambos são fantásticos.

Sim, são fantásticos aos olhos de quem os alimenta. O problema crucial com a crise no céu é que Satanás alimentou o mal, dourou a pílula da inveja, do ciúmes, do orgulho, e por fim, do ódio, a tal ponto que ela ficou doce, agradável, desejável e por fim, inevitável.

Sim, o Mal pode ser aos olhos daquele que o escolhe, pelo menos no primeiro, ou nos primeiros momentos, tão Fantástico quanto o bem. E pior, o aprisionamento criado pelo orgulho, torna o Mal não somente desejável, mas irrevogável.

O Mal em essência não é a consequência, mas a causa.  Somos tentados muitas vezes a pensar o mal a partir de suas consequências – morte, sofrimento, dor, perdas, etc. – mas ao observarmos a crise no céu, sugiro que você olhe o mal em seu ponto de partida.

Quando Lúcifer inicia suas dúvidas sobre a integridade de Deus, seus sentimentos eram os de que ele houvesse perdido algo que lhe pertencia por direito. Ao alimentar o ciúme e inveja pela posição “aparentemente” privilegiada de Jesus (digo aparentemente por que Deus não tem privilégios, Ele já é Deus), a sensação em seu coração era de que havia perdido algo. Da sensação de perda ele se deixa conduzir ao causador da perda – Deus em Cristo. Ao delimitar o causador de seu sentimento alimentado, ele define seu julgamento e Deus é condenado em seu coração.

Perceba que os sentimentos neste momento, alimentados por uma lógica equivocada, afinal de contas, em lugar de perguntar pelos elementos que faltavam em seu raciocínio, Satanás assumiu sua própria lógica como verdadeira, impediram Satanás de perceber o cenário completo.

Não é o mesmo que acontece quando tentamos descobrir por nossa lógica limitada a origem do mal? Não é o mesmo que se dá todas as vezes em que ao invés da dependência de um Deus que possui as respostas, insistimos em procura-las sozinhos e não encontramos – e as consequências são escolhas equivocadas?

A resposta estava na sala vizinha, mas Lúcifer resistia a entrar e perguntar. Elegeu seu algoz, o pintou como Tirano, e isso o impedia de apresentar suas dúvidas Àquele que teria todo prazer em responder.

O problema com a dúvida não é a dúvida em si, mas a insistência em não buscar a resposta no lugar certo, e a não aceitação da resposta quando difere daquilo que achávamos ser correto.

A cena de Lúcifer no céu nos mostra isso de forma mais que evidente. Sua tese cresceu tanto que já não cabia dentro dele. Sentindo-se cada vez mais isolado em sua nova forma de pensar, fez o que o pecado sempre faz, buscou plateia para suas ideias. Começou a disseminar entre seus liderados suas ideias sobre as injustiças de Deus.

Sua capacidade de argumentação, a lógica muito bem arquitetada (ainda que com premissas erradas e cheias de lacunas) não demorou a encontrar eco entre os anjos. Sua “preocupação” com o que Deus poderia fazer com os privilégios de todos, uma vez que os negou a Lúcifer, eram a prova de que Deus não era confiável.

A situação insustentável é interrompida por Deus com a EXPLICAÇÃO. Aqui começa a queda visível de Satanás. O problema, como já disse, não reside no fato de ter dúvidas.  Somos criaturas, e aprendemos quando temos perguntas. O problema real começa quando, apresentada a resposta, duvidamos da capacidade, competência e veracidade do RESPONDENTE.

O problema com Lúcifer é que, mesmo tendo entendido a resposta, mesmo percebendo as lacunas de sua própria lógica, alimentou seu orgulho a tal nível que lhe fora “impossível” (impossível porque ele escolheu assim) voltar atrás. Imaginou em seu coração como seria ter que dizer aos anjos que ele estava equivocado em suas conclusões preconceituosas a respeito de Deus e Cristo.  Deixou-se levar por sua imaginação sobre como os anjos o veriam depois deste deslize de raciocínio. Acalentou em seu coração a desconfiança de que não mais seria visto como um líder confiável por cometer um erro tão primário de raciocínio.

Sim, estou tentando descrever tudo isso numa forma tangível e próxima aos sentimentos que o pecado causa em todos nós, só pra você entender que a lógica que Satanás usou em condescendência consigo mesmo é a mesma que ele nos influencia a aplicar até hoje.

O fato é que, a verdade que não converte, endurece o coração. E Lúcifer se deixa conduzir por essa nova forma de pensar e sentir. É curioso que, quando insistimos em mentir para nós mesmos, chega um momento que nossa mentira se torna a nossa verdade. (E nem mesmo Deus pode mudar isso sem nossa permissão)

Os textos de Isaias 14 e Ez. 28 mostram de forma clara para onde o orgulho conduziu Lúcifer – corrompeu-se por sua formosura e se permitiu imaginar igual ou maior que Deus.

O que motivou o início da inveja, tornou-se agora em alvo – Tirar das mãos do Criador o domínio do mundo recém criado por Deus.

Exitoso em seu empreendimento, Satanás se auto proclama Representante deste Mundo – seu Novo Dono. Falaremos mais disso semana que vem.

Voltemos ao tema central – O Conflito Cósmico.

O pecado de Lúcifer – a quebra do relacionamento de confiança com o Criador – expões não somente o Céu, mas o Universo todo agora não a potencialidade do Mal, mas à sua existência real.

Uma vez que o mal não havia produzido suas consequências, a tese de Lúcifer de um reino Livre de Deus, mas sob o comando de Lúcifer, agora se torna uma possibilidade real entre todas as criaturas de Deus.

Este é um outro dilema que somente o céu poderá clarear totalmente, mas, no pouco que ora podemos vislumbrar, há algo muito significativo aqui.

Satanás põe em Xeque as atitudes de Deus com questões explícitas e veladas. Se Deus é amor, como de fato diz, Ele permitirá que alguém pense diferente? Se Deus é amor como se faz apresentar, então vamos ver o que Ele faz com quem discorda dele?

O olhar puro sobre o serviço e funções do céu, agora se transforma em uma visão de manipulação e opressão, hierarquia e poder. O que até então era resultado de um ambiente de serviço e amor, confiança e devoção, se reverte a tal ponto que o clima insuportável resulta na separação ou expulsão do céu.

Tente imaginar a cena como descrita nos textos de Ellen White, de Deus passando em revista um por um dos anjos e lhes perguntando sobre sua decisão – Deus ou Lúcifer.  Tente imaginar o sofrimento do Pai em ter que retirar do convívio seus filhos. A cena da peleja no céu e da expulsão traumática do Dragão e de seus anjos (1 terço de todos).

Durante o tempo que antecedeu a cruz, Satanás ainda guardava o privilégio de poder entrar no céu, embora não pudesse viver lá.

Foram necessários 4.000 anos de história para que o real desejo de Satanás se tornasse transparente. A cruz marcou em definitivo a expulsão do céu e a reclusão a Terra.  A cruz selou em definitivo satanás como persona non grata no universo.

O que me assusta, é que a mesma cruz, selou Satanás como persona grata neste mundo. O mundo o escolheu, e com isso, selou sua sorte. Os súditos deste novo líder reproduzem seu caráter egoísta. Sua falsa proclamação de liberdade, é reproduzida em seus liderados no mundo como libertinagem. Seu poder usurpador se materializa nos reis deste mundo e em sua tirania. Aquilo de que acusou Deus, se concretiza em seu próprio governo terreno, sendo copiado e ampliado por pessoas em todas as fases da história humana. Sua nova ordem, se reproduz nas corrompidas e distorcidas leis civis e religiosas deste mundo.  A adoração, uma vez devida ao Deus do Universo, agora é deformada sob toda espécie de desvarios religiosos deste mundo.

Por quase 6000 anos Satanás tem se esmerado na arte de disseminar seu jeito de pensar, suas artimanhas lógicas, sua deturpação do caráter de Deus.  Tem ele se aplicado à tarefa de tornar cada vez mais centrado o homem em si mesmo, a ponto de imaginar poder viver à parte de seu Criador.

Seu aparente sucesso, quando visto pela janela de nossa casa, deve porém ser visto à luz do cenário cósmico.

O príncipe deste mundo já foi derrotado!!

Em uma última e desesperada tentativa, volta ao mundo como um Leão esfomeado, buscando a quem possa tragar.  É preciso compreender que o que acontece em nossa vida hoje, a cada minuto, a cada escolha, é fruto deste conflito maior. Se nos esquecermos disto, seremos tentados a ver o cenário parcial (nossa vida terrena) como cenário completo. Essa inversão, nos conduzirá ao erro nas prioridades, e nos tornaremos presas fáceis do engano.

Lembre-se, o Grande Conflito é uma batalha entre duas pessoas – Deus e Satanás – e o objeto deste conflito somos você e eu.

Nesta guerra, nossa única salvaguarda está no sangue do Cordeiro que voluntariamente se permitiu tragar em nosso lugar.  Nosso escape reside em escolher quem será nosso Senhor nessa guerra.

 

Deixe seu comentário:


Você pode gostar também

Lição 13 – Crucificado e Ressurreto – Pastor Adalton Martins Ferreira

25 de junho, 2016

Lição 13 – Crucificado e Ressurreto – Pastor Adalton Martins Ferreira

Lição 12 – Os últimos dias de Jesus – Moises Lopes Sanches Junior

20 de junho, 2016

Lição 12 – Os últimos dias de Jesus – Moises Lopes Sanches Junior

Lição 11 – Eventos Finais – Wellington Romangnoli

11 de junho, 2016

Lição 11 – Eventos Finais – Wellington Romangnoli

Pesquisar

Lições da Biblia

Lição da Biblia - Segunda 29/05/2017

Lição da Biblia - Domingo 28/05/2017

Lição da Biblia - Sábado 27/05/2017

Lição da Biblia - Sexta 26/05/2017

Lição da Biblia - Quinta 25/05/2017

Lição da Biblia - Quarta 24/05/2017

Lição da Biblia - Terça 23/05/2017

Facebook