Comentário Bíblico Escola Sabatina

Comentário: Jeremias – Lição 02 – Pastor Moises L. Sanches Junior

Israel, Meu povo, era santo para o Senhor, os primeiros frutos de sua colheita; todos os que o devoravam eram considerados culpados, e a desgraça os alcançava, declara o Senhor. Jr 2:3

Lição 02

Israel, Meu povo, era santo para o Senhor, os primeiros frutos de sua colheita; todos os que o devoravam eram considerados culpados, e a desgraça os alcançava, declara o Senhor. Jr 2:3

Como sugeri na Introdução da lição deste trimestre, somos convidados à uma viagem pela história do profeta Jeremias a fim de vermos “novos problemas velhos”.

Sendo assim, quero incitá-los a observar a lição desta semana sob o prisma do texto de Apoc. 3 – Laodicéia/o Remanescente.

Tenho a impressão de que se observarmos atentamente a história do remanescente de Israel (Judá), bem como a trajetória que os conduziu à realidade do cativeiro e destruição iminente em seus dias, conseguiremos estabelecer conexões preciosas para compreensão do tempo em que vivemos, nossa missão e nossa reedição dos mesmos erros.

Minha proposta nasce de 3 textos que deveriam ser lidos com muita atenção:

Convém-nos considerar o que sobrevirá brevemente à Terra. Não estamos em tempo de frivolidades nem de andar em busca dos próprios interesses. Caso os tempos em que vivemos deixem de impressionar de maneira séria nossa mente, o que nos pode atingir? Não pedem as Escrituras uma obra mais pura e santa do que já nos foi dado ver? (ME, v.2, p. 400)

Ao aproximar-nos do tempo em que os principados, potestades e exércitos espirituais da maldade nos lugares celestiais serão levados à luta contra a verdade, quando o poder enganador de Satanás será tão grande que, se possível, enganaria até os escolhidos, cumpre-nos ter discernimento aguçado pela iluminação divina, para que possamos conhecer o espírito que é de Deus, para não sermos ignorantes dos ardis de Satanás. O esforço humano precisa aliar-se ao poder divino, a fim de sermos capazes de realizar a obra finalizadora para este tempo. (ME, v.2,p.15.)

Até o fim do tempo surgirão homens para criar confusão e rebelião entre o povo que professa obedecer à lei de Deus. Mas tão certamente como o juízo divino visitou os falsos profetas no tempo de Jeremias, da mesma forma os maus obreiros de hoje receberão sua plena medida de retribuição, pois o Senhor não mudou. Aquele que profetiza mentiras, encoraja os homens a olhar para o pecado como algo trivial. Quando os terríveis resultados de seus maus atos se tornam evidentes, eles fazem o possível para jogar a responsabilidade por suas dificuldades sobre aquele que fielmente os advertiu, assim como os judeus acusaram Jeremias por seus infortúnios. (CBASD, v. 4, p. 1276)

A História

A trajetória de Israel tem início com a eleição de um povo à nascer de um casal: Abraão e Sara. Tragicamente, desde o início, a história do povo hebreu guarda problemas. Do pecado de Abraão com Hagar, buscando resolver a promessa por suas próprias mãos, nasce um conflito milenar entre Ismaelitas e Israelitas.

A história se repete em seu neto Jacó(Israel), o enganador, ao obter por meios ilícitos a primogenitura prometida desde seu nascimento. Seu engano se transfere na reedição de sua vida com Labão, e como resultado, assistimos o início tenso das tribos de Israel, representado nas brigas familiares entre os filhos de Jacó.

A alternativa de Deus que os conduziu ao Egito pelo tempo da seca, é esticada no prazo quando deliberadamente resolvem permanecer na boa e confortável terra de Gosen, em lugar de retornar para a terra prometida, e como resultado, ganham a escravidão.

Deus envia um libertador que os leva à terra da promessa, mas a falta de comunhão e fé, os leva a trocar a benção pelo deserto por 40 anos. Ao chegarem finalmente à terra prometida, são novamente acometidos de sua vida dúbia, e provocados por Josué a tomarem decisão ao lado de Deus.

Após a conquista da terra, passado o tempo de uma geração, surgem aqueles que não conheceram o deserto e nem as batalhas, e consequentemente, não haviam vivido os livramentos de Deus, e nova crise espiritual se instala em Israel, que se potencializa e radicaliza em pactos com nações pagãs, produzindo sincretismo religioso e que futuramente acabariam sendo a principal razão da destruição da nação.
Cada um fazia que lhe parecia reto a seus próprios olhos. (Jz. 21:25)

A esta triste realidade, Deus reage convocando Juízes para o povo. Mas suas mensagens são levadas à um povo com sérios problemas de audição.
Passa o tempo dos Juízes, e adentramos ao período dos Profetas e dos Reis, somente para descobrir que após os quase 100 anos de relativa paz e prosperidade dos primeiros 3 reis, o pecado dos 3, levaria o povo a uma grande divisão (10 reinos ao norte, e 2 ao sul).

Caprichosamente, ao sul, ficam as tribos de Judá e Benjamim. Ironia ou não, Judá fora aquele que se ofereceu para salvar Benjamim no Egito, e Benjamim, aquele que sobrou da amada esposa Raquel, já que não existe tribo de José. Um irmão de cada facção (Lia e Raquel) da conflitante família de Jacó.

Jeroboão, por razões políticas, conduz as tribos do norte à completa apostasia, numa reedição dupla do bezerro de ouro do Monte Sinai, impedindo seus súditos de irem ao templo em Jerusalém. O resultado, sua destruição completa na mão dos Assírios.

Já ao sul, tem início uma outra história, a de um povo que leva ao limite máximo a definição de mistura da verdade com o erro.

Se houve um lugar onde a frase de Josué pudesse ser aplicada em toda sua extensão, este foi O LUGAR. (Até quando coxeareis entre dois pensamentos?)
Dá pra imaginar, adorar à Deus no santuário num dia, e ofertar seus filhos nos braços de deuses pagãos no outro?

Seguidamente Deus enviou profetas com duras advertências, mas não foram ouvidos. Quando Jeremias aparece em cena, o destino do povo já está selado.

O convite à reforma e fidelidade, somado à resignação ao julgo babilônico, não era exatamente o recado que os reis de sua época, sacerdotes e tampouco a nação, gostariam de ouvir.

Seu aparente fracasso missionário, não foi de todo em vão. De Jeremias surge um remanescente fiel.

Esta vista superficial da história de Israel, serve bem ao propósito de observarmos nossa própria história.

Conflitos Externos

O surgimento do remanescente de Israel como resultado das perseguições de Babilônia à um povo que se distanciou da verdade, não é muito diferente do remanescente dos últimos dias que aparece em consequência das perseguições medievais e do sincretismo religioso que ocorrera na idade das trevas.

Se para o tempo de Israel (a mulher vestida de sol com as doze estrelas e a lua – o sonho de José) o cativeiro tornou-se inevitável, para os dias do Israel espiritual (a mulher de apocalipse 12 que fugiu para o deserto), as tribulações medievais eram inevitáveis.

Assim como nos dias de Jeremias, as práticas externas ao povo de Deus eram um convite constante ao prazer, prosperidade, conforto e modernidade, vivemos nos tempos de hoje, igual convite a uma vida de frivolidade, alianças espúrias, busca por autoridade, projeção, prosperidade e conforto, e tantos apelos diferentes que trazem ao atual remanescente os mesmos riscos de Idolatria e Paganismo, reeditados com novos matizes e roupagens, mas guardando a mesma essência.

Assim como a aliança com o mundo daquele tempo traria consequente cativeiro e destruição, a advertência persiste, mas o cativeiro de hoje é o pecado, e a destruição para nossos dias terá como protagonista o Senhor em seu juízo, e será definitiva.

Conflitos Internos

Se observarmos o período de Jeremias e o resultado do cativeiro, é fácil identificarmos 3 grupos de pessoas: os protagonistas do liberalismo, com suas ilusões de que não havia erros em Israel, criticavam a mensagem profética e acusavam seus seguidores de fanatismo; os radicais catastrofistas, que propunham a guerra e a resistência à Babilônia, mas excluíam Deus do processo, buscando solucionar seus problemas por si mesmo; e o remanescente fiel, que apregoava o pecado de Israel e sua necessidade de resignação.

De igual maneira, nos dias atuais, observamos a reedição dos 3 grupos:

Os liberais laodiceanos, que julgam estar vivendo a verdade pelo simples fato de tê-la em sua biblioteca, não enxergando seu próprio pecado seguem estufando o peito alardeando sua riqueza e abastança. Triste é sua condição – miserável, pobre, cego e nu.

Os radicais catastrofistas de hoje, apregoam modelos de guerra ao pecado, mas diferentemente dos dias de Jeremias, sua Babilônia a ser atacada é a própria igreja. Apregoam a degeneração do movimento adventista, atacam sua liderança, postulam inciativas separatistas, estruturas e movimentos paralelos. Alguns mais afoitos chegam a cindir com o movimento justificando sua postura com textos extraídos da inspiração profética, mas com aplicações equivocadas. Sua pseudo reforma centraliza-se na potencialidade humana, não no discurso, mas na prática.

Por sua vez, ainda resta hoje um remanescente fiel. Sua mensagem é de reforma e reavivamento, porém, diferentemente do radicalismo, seus apelos ao despertamento da igreja caminham na direção oposta ao do radicalismo. Na linha de tiro de dois mundos, são acusados tanto pelos liberais quanto pelos radicais, por aqueles, de fanatismo, e por estes, de tentar fazer uma reforma pela metade.

Penso ser muito importante alertar para o fato de que a especialidade de Satanás, como nos textos que enfatizei no início, é produzir o engano, desviar a atenção, descaracterizar a mensagem de Deus e atacar seu povo em qualquer iniciativa que conduza à mudança.

Nos dias de Israel, a missão dada ao povo de Deus era a de viver de forma tão profunda o que Deus lhes havia indicado, que se tornariam uma nação próspera, longeva, saudável, estrategicamente posicionada na encruzilhada das nações, afim de que todo que passasse por ali seria levado a perguntar qual o segredo. Estes deveriam ser convidados a conhecer o Deus de Israel. Todos os povos da terra seriam atraídos à Israel, e todas as famílias da terra seriam abençoadas em Abraão.

A missão dada ao remanescente atual é a mesma, porém, no sentido oposto.

Somos chamados hoje a viver de forma tão profunda o que Deus nos indicou em todo o Testemunho Profético, de forma que sejamos reconhecidos por isso. Não necessariamente seremos reconhecidos pela prosperidade, mas pela fidelidade. Não tanto pela vida longeva ou saudável, embora essas sejam consequências naturais da prática dos princípios de saúde para o nosso tempo, mas antes sim pelo resultado espiritual que esta vida saudável produza – o discernimento claro e equilibrado entre a verdade e o erro.

Diferentemente da vida em guetos da “nação adventista”, somos provocados à ir ao mundo, e viver esta vida de fidelidade entre as pessoas, enquanto a liberdade nos permitir fazê-lo. Num mundo em que o conflito externo se manifesta na forma de Mateus 24:12 – O amor de quase todos está se esfriando – somos empurrados por Deus à nos “infiltrarmos” entre eles para que sintam, vejam e se convertam por esse amor (Mateus 24:13 e 14).

Ao nos empurrar para crises internas de toda ordem, Satanás neutraliza essa força que moveria o mundo na direção de Deus. (Nisto conhecerão que sois meus discípulos…)

Da mesma forma como conseguiu neutralizar pelo paganismo e idolatria a força de Israel como nação, busca ele, nos dias de hoje, o mesmo resultado, ao infiltrar entre nós toda sorte de teorias humanas, debates teológicos sobre temas sem sentido, práticas radicalizadas de todos os tipos, ou cristianismo sem comprometimento que não produza mudanças na condução da vida, descaracterização da diferença entre os filhos de Deus e os filhos do mundo, ou num extremo oposto, uma distinção tão grande que resulte no afastamento das pessoas e no ascetismo religioso.

Assim como para Israel, a única salvaguarda residia em um retorno às orientações de Deus enviadas pelos profetas, nos dias atuais, nossa proteção reside em Sua Palavra e em Seus profetas.

Porém há uma última coisa que vale a pena ressaltar.

Se para Israel, o ser fiel a Deus atrairia as nações ao reconhecimento de Deus e a visitarem a nação, para os nossos dias, o que se apresenta é um pouco diferente.

Embora no plano individual, nossa fidelidade possa significar atrair pessoas a Cristo, no plano global, se formos fiéis como foram nossos antepassados, suscitaremos perseguições e discórdia iguais ou maiores do que as vistas anteriormente. Dentro e fora do adventismo.

A missão é a mesma, mas o contexto mudou.

Para este tempo, Deus chama homens (e mulheres, pra não desrespeitar a atual ditadura do politicamente correto) da seguinte ordem:

… que se não comprem nem se vendam; homens que no íntimo da alma sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens, cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao pólo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus. (Educ. p. 57)

Homens que guardem E VIVAM, os mandamentos de Deus e o Testemunho de Jesus – o Espírito da Profecia.

Homens que ouçam Deus bater à porta E ABRAM.

Homens que supliquem pelo cumprimento da promessa e ACEITEM RECEBÊ-LA.

Homens que não sejam olhados por Deus como “eram santos” (Jer. 2:3), mas que que sejam por Ele reconhecidos hoje como “SENDO SANTOS”.

You may also like