23 de outubro, 2015 0 Comentários

Comentário: Jeremias – Lição 04 (Repreensão e Represália) – Pastor Moises L. Sanches Junior

Lição 04 – Repreensão e Represália

Se Deus é amor, por que coisas ruins acontecem com pessoas boas?

Por que uma criança morre de câncer, de fome, por negligência, ou tantas outras questões, e um bandido, um assassino, um corrupto, um ditador ou qualquer outro sujeito sórdido parece prosperar sem que nada lhe aconteça?

Se Deus é amor, por que permitiu o pecado sabendo que tanta gente sofreria com as consequências?

Se você é um ser humano normal, que vive neste planeta, essas perguntas já passaram por sua cabeça, ou pelo menos, já lhe foram feitas alguma vez na vida.

O Cristianismo realmente oferta a todos nós, em algum momento da vida, uma sensação de frustração com a aparente prosperidade dos ímpios.

Uma leitura breve do livro dos Salmos é suficiente para tornar evidente a frustração de Davi com o tema. Uma visita à caverna de Elias também.

Durante a lição desta semana, este tema é revisitado como forma de compreendermos, em primeiro lugar, a humanidade do profeta e sua semelhança conosco.

Em um segundo recorte, entendermos a perspectiva de Deus sobre todas estas perguntas, suas respostas, responsabilidade, mas, acima de tudo, num terceiro plano, um olhar para frente, além dos muros do tempo presente, para um plano futuro, onde o resultado final será descortinado. (Eclesiates 12:14)

Cura-me, Senhor, e serei curado, salva-me, e serei salvo; porque Tu és o meu louvor. Jr. 17:14

Para a lição desta semana temos 3 objetivos principais:

  1. Conhecer: A gravidade do pecado e sua presença generalizada no coração humano, bem como seus resultados na sociedade e no ambiente.

  1. Sentir: A luta de Jeremias com sua própria mensagem profética, bem como a constante resistência e retaliação que ele experimentou.

  1. Fazer: Decidir odiar o mal em todas as suas manifestações, e confiar no Senhor de modo que estejamos firmados nEle.

Para que possamos equalizar a raiz do equívoco presente nas perguntas frustrantes sobre a prosperidade dos ímpios, faz-se necessário, ou imperativo, entender que o pecado é produto de uma escolha livre e sem retorno. Sim, é isso mesmo. Não existe saída para o problema do mal. Nunca existiu, e nunca existirá.

Se alguém escolheu deliberadamente o mal, nem mesmo Deus pode mudar esta escolha, sob pena de ser acusado de manipulador, maniqueísta e parcial.

O preço da liberdade plena significava o risco da divergência. Portanto, o problema com todas as perguntas sobre a prosperidade dos ímpios, é que elas partem do pressuposto de que o mal poderia ser solucionado antes de ocorrer. Porém, o preço desta solução, seria a extinção da liberdade.

Sim, o pecado levou o mundo ao sofrimento não por que Deus seja indiferente, mas por que Deus permitiu a escolha divergente.

Toda a questão sobre o pecado, a partir de sua existência, não se pode mais responder, e sequer perguntar, sob a perspectiva do tempo presente, pois, no tempo corrente, TUDO É MAL.

Ou seja, por que coisas ruins acontecem com pessoas boas? Em primeiro lugar por que estamos num mundo generalizadamente mal. Em segundo, por que nosso conceito de que somos bons, também se equivoca. Não somos bons, ninguém é. Todos são pecadores.

Nossa régua de gradação usada para julgar se somos bons ou não, é a de comparação entre o tamanho da maldade do outro e a nossa. Porém se nos compararmos com a justiça de Deus, toda nossa “bondade” não passa de trapos de imundícia.

O problema com as perguntas sobre a prosperidade dos ímpios, é que ela parte do pressuposto de que Deus deveria nos recompensar por todo nosso esforço de bondade.

O fato crucial, e duro de digerir, é o de que nós somos bons apenas aos nossos próprios olhos.

Outro aspecto a ser considerado nesta distorção provocada pelas perguntas sobre a prosperidade do mal, é o de que a solução para o problema do pecado não está em nós.

A solução é obrigatoriamente externa. Alguém justo precisava pagar o preço do erro do pecador para que fosse provida uma nova oportunidade de escolha que nos tirasse do aprisionamento escravizante do pecado.

Se existe alguém que definitivamente poderia fazer as perguntas que nós fazemos, este alguém é Cristo.

Ele pode de forma legitima perguntar, por que coisas ruins aconteceram comigo que SOU BOM. Afinal de contas, o único justo que passou pela terra foi Ele, e nós O matamos.

O problema com as perguntas sobre o sofrimento, não está no fato de que o sofrimento seja objetável, grotesco e injusto. O problema é que a forma como as fazemos, guarda de forma velada, lá bem no fundo do quarto de nossos sentimentos, uma falsa sensação de bondade.

Essa não é uma constatação agradável de ser feita. Ninguém gosta de ser acusado de ser mal, principalmente, quando se acha bom. Essa tendência desastrosa de tentarmos justificar nossos erros, nossas intenções, nos conduz invariavelmente à frustração da descoberta, mais cedo ou mais tarde, de que somos realmente maus.

Mesmo quando escolhemos servir a Deus, não estamos livres de perigo de, em algum momento da missão, pelo fato de termos escolhido o lado do bem, começarmos a acreditar que somos realmente bons por causa de nossas vitórias ao lado do bem. E ainda mais, pelo fato de termos a régua de Deus para medir o pecado, às vezes, a utilizamos somente no pecado dos outros, e não nos nossos próprios, e nos apropriamos da régua como se fosse nossa, mas ela é de Deus.

A dura realidade, é que as vezes também, fazemo-lo com a melhor das intenções, mas, nossa boa intenção não torna o julgamento equivocado em julgamento certo.

A régua com que Deus mede o pecado não possui uma zona cinza, intermediária, que permita que quase tudo seja bom, com alguma concessão de maldade em algum quesito. Só existem dois lados, e o “encimadomurismo” não é uma tese possível. Aliás, como já foi amplamente difundido na anedota de internet, o muro pertence a Satanás, e não a Deus. Ficar em cima do muro, já implica a escolha feita pelo seu dono.

O pecado de Judá, com tantos outros momentos peculiares da Bíblia, foi servir a dois Senhores, chamar o erro de acerto, e repudiar o profeta da misericórdia.

Por sua vez, o juízo justificável, mais ainda assim, equivocado, do profeta, foi enxergar um Deus negligente, relapso ou tardio em soluções.

Jó, a certa altura do seu sofrimento, deixou-se também levar por sua falsa sensação de bondade, e ousou questionar a justiça de Deus, como se Deus lhe devesse algo por seus muitos atos e tempo de justiça. Apresentou a Deus seus questionamentos, utilizando-se de sua extensa e proba folha de serviços.

A lista de perguntas de Deus ao seu filho, parece num primeiro momento injusta e dura demais, mas a resposta da compreensão de Jó do infinito amor de um Deus que se digna a salvar, espelha o reconhecimento de quem realmente optou por ser filho e servo deste Deus. (Ainda que Ele me mate, nEle confiarei. Eu sei em quem tenho crido!!)

O orgulho de Judá, impediu sua visão da imensa misericórdia de Deus entremeada nas mensagens de advertência de Jeremias. Eles eram bons demais para aceitar as advertências de Deus.

Repudiaram a mensagem, atacaram ao profeta, e em lugar de lavar-se e arrumar-se, acharam mais fácil quebrar os espelhos.

Por sua vez, como um espelho que se vai quebrando, Jeremias se volta ao Chefe da missão, e questiona: Até quando e até quanto eu preciso me arrebentar pra que este povo entenda, e, é justo, que eu que queira salvá-los, esteja sofrendo, enquanto eles, com toda sua maldade intrínseca e extrínseca, estejam vivendo tranquilos e bem.

Apenas quando olhamos para a Cruz do Calvário, o nosso sofrimento adquire sentido.

Somente quando utilizamos a régua do tempo somos capazes de entender que por maior que nos pareça o tempo de sofrimento do agora, do hoje, do momento, tudo isto é nada, quando comparado à eternidade de bênçãos, alegria, satisfação e gozo da Nova Jerusalém.

Qual a prática resultante de tudo isto?

  1. Repúdio ao mal em todas as suas formas.

    1. É fácil odiar o mal em sua forma grotesca (assassinato, corrupção, pedofilia, abusos, violência, etc.)

    2. É difícil repudiar o mal que nos causa bem, que nos traz benefícios ou privilégios

  2. Confiança incondicional em Deus, na certeza de que Ele sabe o que é melhor em todas as circunstâncias.

    1. É fácil acreditar que Deus esteja conduzindo nossa vida quando tudo se encaixa, e nossos sonhos vão sendo realizados um após o outro.

    2. É quase impossível, mas é só quase, acreditar que Deus esteja prestando atenção em nós quando tudo vai de mal a pior, e principalmente quando quem nos pisa, parece ter a vida sendo soprada por “Bons Ventos”.

  3. Arregaçar as mangas e continuar na missão de salvar

    1. É fácil exercer a missão na direção de quem nos acolhe, na ajuda de quem deseja ser ajudado

    2. Parece tempo perdido, desesperador e insano, exercer a missão na direção de quem maquina contra nós o mal, nos calunia e difama.

Quando você se sentir tentado a pensar assim, releia as bem aventuranças com toda a calma, com toda a atenção, e perceba o resultado de quem se satisfez com a justiça, satisfazendo sua fome e sede (v. 6).

Preste a atenção na missão que se segue ao texto do verso 7. Quem se saciou da justiça de Cristo, bebendo da fonte do calvário, sai de lá para uma missão: Misericórdia (v. 7) , Pureza de Coração (v. 8), Pacificação (v. 9).

Seu prêmio na terra – Perseguição por causa da justiça (v. 10), Injúria, Calúnia e Difamação (v. 11)

Meu conselho, releia os mesmos versos e veja seu prêmio no céu.

Ver a Deus face a face, ser chamado seu filho, ser contado entre os heróis do passado que igual a você sofreram o evangelho, receber de presente o reino dos céus.

Porém, de tudo isso, o melhor, será abraçar Seu irmão – o FILHO DE DEUS.

Que esta esperança nos conduza firmes até a outorga da recompensa que nos está prometida!

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