30 de outubro, 2015 0 Comentários

Comentário: Jeremias – Lição 05 (Mais tristezas para o profeta) – Pastor Moises L. Sanches Junior

Lição 05 – Mais tristezas para o profeta

Senhor, Tu me enganaste, e eu fui enganado; foste mais forte do que eu e prevaleceste. Sou ridicularizado o dia inteiro; todos zombam de mim” (Jr 20:7, NVI)

Conhecer: A realidade do grande conflito no sofrimento e na dor pelos quais os cristãos passam neste mundo.

Sentir: O mesmo fogo ardente, encerrado nos ossos, que motivou Jeremias a continuar no caminho de Deus, mesmo em face da perseguição.

Fazer: Decidir reagir positivamente quando enfrentar resistência, conservando na mente o panorama geral do plano de Deus.

A lição desta semana começa com uma provocação curiosa: Deus me enganou, e eu fui enganado!!

Embora não expresse a verdade dos fatos, afinal, Deus não enganou o profeta, e nem tampouco nos engane, as palavras de Jeremias são verdadeiras no que se refere ao sentimento que nos assola toda vez que o mal bate em nossa porta.

Uma coisa é Deus nos dizer que enfrentaremos oposição, ignominia, injuria e difamação. Outra coisa é vivermos na pele todas essas coisas.

A sensação de abandono e impotência diante da aparente vitória do mal, não raras vezes nos faz balançar, não por que deixamos de acreditar em Deus ou na verdade, mas pela tentação de jogar a toalha e desistir parcial ou completamente.

À essa realidade do profeta ser humano é que somos convidados a adentrar. Sentir o que ele sentiu com o peso do conflito, mas também sentir o que ele sentiu quando o Espírito Santo lhe fez arder o coração com a coragem necessária para continuar a missão com intrepidez.

A história é simples.

Deus chama o profeta a casa do Oleiro e lhe apresenta uma mensagem de advertência e esperança.

O hino que se tornou comum na igreja (Vaso de Oleiro) ilustra essas duas vertentes da mensagem: O vaso que se quebrou e o vaso que se reconstrói nas mãos de Seu Oleiro.

Porém, quando adentramos ao capítulo 19, a realidade parece se modificar, pois, o vaso que o profeta é convidado a carregar em sua mensagem de advertência, não é um vaso fresco, mas um vaso queimado.

A lista de condenações aos reis de Judá e ao povo não é pequena e nem branda. A condenação é precisa, direta e irrevogável. A atitude de lançar o vaso queimado ao chão demonstra a impossibilidade de que o vaso seja reconstruído.

Com certeza essa não é uma mensagem agradável de se dar, e nem é gostosa de se receber. A mensagem de Jeremias é muito parecida com a de Moisés/Deus ao povo quando os espias voltaram da terra prometida com palavras de desânimo e o povo as acatou. Deus condena o povo a vaguear pelo deserto até que aquela geração morra e surja uma nova que acredite na promessa.

O que Jeremias disse aos reis de Judá em frente aos anciãos foi que o tempo deles passou. Se houver esperança, será com a geração futura, depois dos flagelos de Deus.

Pausa.

O que você faria se Deus enviasse pra você um profeta hoje com o recado de que seu tempo acabou? Como você reagiria ao ouvir a mensagem, imaginando que tudo o que você fez até agora estava certo e de acordo com a vontade de Deus?

Play.

Ao sair de Tofete e se dirigir ao templo, Jeremias repete em um verso o resumo da condenação.

Pasur, o filho do sacerdote, ouve o que Jeremias disse, e, com raiva, aplica a pena mosaica de açoites ao profeta, e depois, o deixa exposto ao sol e orvalho, com as feridas abertas, sangrando por todo aquele dia e noite, amarrado ao tronco. Edição hebreia do Pelourinho.

Ao dia seguinte, o profeta é solto. Como parece que o filho do sacerdote não havia entendido o recado, Jeremias retoma as condenações, dá um apelido a Pasur – “Terrorportodososlados” – e faz questão de deixar muito claro que o tronco de uma noite não é suficiente para mudar o discurso. Mas não só, diria um amigo meu, Jeremias agora apresenta um pacotinho de desgraças particular para Pasur.

Acho que Jeremias não entendeu bem por que ficou no tronco, ou talvez o sol e o sereno roubaram-lhe o bom senso. Ficou louco?, diriam seus “amigos”. Você quer voltar pro tronco? Cala a boca! Diriam outros na intenção de ajuda-lo.

A estas observações Jeremias responde com o verso áureo(para os nascidos no século 20) da semana.

O Senhor me enganou.

O que me chama a atenção no verso não é a frase acima, mas a seguinte – e eu fui enganado.

Não fosse essa segunda frase, e eu poderia ficar na dúvida de que Jeremias estivesse acusando a Deus de alguma coisa que lhe fora omitida.

Mas a segunda frase guarda nas entrelinhas uma constatação – o Senhor me disse que seria ruim, eu achei que pudesse ser mesmo, mas eu não achei que seria tanto!

Não é que Deus o tenha enganado, é que, a realidade só é “de verdade” quando a vivenciamos. A parte que me deixa empolgado na história é a intimidade que Jeremias tem com seu Senhor, a ponto de poder falar com Deus de forma natural. Longe de desrespeitar a Deus, suas palavras expressam o profundo e mútuo amor que um nutria pelo outro.

É como se dois amigos estivessem falando ao telefone:

– Poxa, você podia ter me avisado que seria ruim…

– Mas eu disse que você teria problemas…

– Sim eu sei, mas eu não sabia que seria desse jeito…

– Quer desistir e voltar…

– De jeito nenhum… agora eu vou até o fim… Tá achando que um tombo vai me fazer amolecer… eles que esperem pra ver… agora vão ver quem eles derrubaram… Se você tá junto comigo, eu vou até o fim…

Dá pra imaginar ter um Deus assim, que a despeito de ser o soberano do universo, é tão próximo como um amigo?

A provocação do profeta termina com uma constatação fantástica, e um pedido ingênuo:

Mas o Senhor está comigo como um valente terrível; por isso tropeçarão os meus perseguidores, e não prevalecerão; ficarão muito confundidos; porque não se houveram prudentemente, terão uma confusão perpétua que nunca será esquecida.

Tu, pois, ó Senhor dos Exércitos, que provas o justo, e vês os rins e o coração, permite que eu veja a tua vingança contra eles; pois já te revelei a minha causa. Jr 20:11,12

Mas afinal, qual foi o pecado tão terrível que aqueles sujeitos cometeram?

Nada demais: corrupção passiva, corrupção ativa, improbidade administrativa, formação de quadrilha, desvio de verba, enriquecimento ilícito, opressão, legislação em causa própria, incitação ao crime, tentativa de homicídio, planejamento e tentativa de sequestro e assassinato, conspiração, assédio moral, e de quebra, ainda constam dos autos indícios de envolvimento com rituais macabros e de magia negra, com relatos inclusive de sacrifícios humanos. (é nessa hora que sobem as letrinhas do início do filme – os personagens dessa história são fictícios, qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência)

E perguntaria minha avó – aonde é que isso vai parar….

Mas voltando ao caso, a parte irônica dessa lista de impropérios é o fato se deu entre sacerdotes e profetas. O que esperar dos reis e do povo, quando a última fronteira de integridade que ousa falar em nome de Deus, se houver corrompido?

Até Jeremias 18, vemos um Deus ainda desejoso de salvar seu povo, de restaurá-lo, modifica-lo. A triste realidade a se constatar é a de que Seu povo, não Lhe quer como Seu Senhor.

Ecoam no tempo as palavras do Senhor:

Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha os seus pintos debaixo das asas, e não quiseste? Lucas 13:34

Não deveria, mas me vejo obrigado a lançar no ar a pergunta:

O que aconteceria se Ellen White ressuscitasse hoje e proferisse, com palavras atualizadas para a linguagem, contexto e práticas de hoje, as mesmas mensagens que proferiu nos seus dias e nos seus textos?

Ou talvez, num questionamento mais provocante, e se Jesus encarnasse nos dias de hoje, a frase seria a mesma de Lucas 13?

A lição desta semana nos chama a atenção para duas realidades:

Ou seremos contados entre os Atalaias de nosso tempo.

Ou seremos contados entre os que ouviram de seus lábios o anúncio da destruição.

Se não nos demos conta ainda, é hora de reler o texto do capítulo 18 de Jeremias com todo o cuidado e atenção.

Estamos em guerra.

O inimigo não tem escrúpulos.

Seu exército é absurdamente maior do que os que lutam em nossas fileiras.

O campo de batalha lhe pertence por conquista/rendição desde Adão.

Mas graças a Deus, maior é Aquele que vai adiante de nós!!

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