18 de dezembro, 2015 0 Comentários

Comentário: Jeremias – Lição 12 (De volta ao Egito) – Pastor Moises L. Sanches Junior

LIÇÃO 12 – De volta ao Egito

Que o Senhor seja uma testemunha verdadeira e fiel contra nós, caso não façamos tudo o que o Senhor, o seu Deus, nos ordenar por você.”(Jr 42:5)

Objetivos:

Conhecer: A história final de Judá após a destruição de Jerusalém pelos babilônicos, caracterizada por assassinatos, intrigas e pelo êxodo ao reverso, isto é, a volta para o Egito.

Sentir: A triste realidade do pecado e da natureza humana que se recusa a aprender com a História.

Fazer: Decidir aprender com a História e aceitar as lições que Deus precisa nos ensinar.

Aprender com a História…

Sugiro que você retorne ao comentário da lição 7 antes de continuar a ler o restante, afinal, devemos aprender com o que já vimos no passado.

….

Se você fez o que indiquei, então agora podemos continuar.

A lição desta semana começa com um verso que me fez lembrar de vários outros de igual teor:

Tudo o que o Senhor ordenar, faremos –> alguns dias depois – Bezerro de ouro

Dê-nos um sinal (milagre) e acreditaremos –> Tempos depois, conspiração

Que o seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos > Algum tempo depois – CRUZ.

É incrível como as vezes parece difícil negar que a história seja cíclica…

Mas, como acreditamos que a história segue sua linearidade e sem retorno, temos que olhar pra frente e tentar não perder o foco.

Foco, aliás, é exatamente o que o povo de Judá havia perdido.

Repare que o texto de Jeremias guarda uma expressão precisa sobre a distância que aquele povo mantinha de Deus, e sua completa falta de comprometimento.

A razão pela qual o povo se dirige a Jeremias era o pavor da vingança do Rei de Babilônia, afinal, não era pra menos, a história tem o seguinte resumo:

De bom grado, Gedalias, o governante colocado por Babilônia sobre Judá, agraciou o povo Judeu com a possibilidade de viver em paz na terra de Judá, desde que estes aceitassem o julgo babilônico

Apesar de toda bondade a eles demonstrada, Ismael, filho de Netanias, arma uma cilada para Gedalias. Quando este o recebe para uma refeição, é ferido por Ismael e seus homens. Não somente Gedalias, mas todos os seus soldados e cervos foram mortos.

Pra completar o banquete de sangue, quando homens de Siquem, Siló e Samaria chegam trazendo oferendas a Casa do Senhor, Ismael os recebe chorando (falsamente) e convida para ver o rei (o que ele acabara de assassinar), e quando eles chegam ao meio da cidade, Ismael os mata e joga seus corpos um poço.

Porém, ele não matou a todos, pois 10 deles o subornaram para que não morressem.

A história conclui com o ataque de Joanã a Ismael, este consegue escapar vivo, então Joanã junta o povo e desce até próximo de Belém com todo o povo que sobrou da incursão a Ismael, e param por um pouco para depois fugirem para o Egito, como dissemos, por medo da retaliação do Rei de Babilônia.

Exatamente neste ponto da narrativa, chegamos ao texto de Jeremias 42. Joanã e seus homens, capitães dos exércitos, decidem consultar a Deus através de Jeremias. Perceba que não lhes preocupou consultar a Deus em nenhuma das atividades anteriores, mas, agora parece que o medo chegou ao limite.

Uma leitura apressada do texto pode dar a impressão de que o povo estava arrependido e se voltava pra Deus:

Que o Senhor seja uma testemunha verdadeira e fiel contra nós, caso não façamos tudo o que o Senhor…

Porém, a segunda parte do texto, evidência que Judá cria em outro Deus que não o de Jeremias:

que o Senhor, o seu Deus, nos ordenar…

O Deus do céu já não era há muito tempo o Deus daquele povo. Este foi seu desgraçado erro. Ao solicitarem a intervenção de Jeremias para com o “seu Deus”, deixaram claro que ele não era o Deus deles.

Não é sem motivo que rejeitaram a resposta.

Esse é o problema que se repete a milênios com a raça humana. Primeiro, duvidamos de Deus, depois, construímos nossa própria ideia de Deus, e por fim, criamos nossa própria versão de Deus, que no fim de tudo, somos nós mesmos.

É interessante que Jeremias não apresenta a resposta de Deus imediatamente após o pedido. Ele vai consultar a Deus e só depois de alguns dias retorna com a resposta.

Fico imaginando o que ocorreu no intervalo. Se o Deus de Jeremias não era mais o Deus do povo, o que aquelas pessoas fizeram enquanto aguardavam a resposta do profeta? A quem adoraram no intervalo?

Dez dias de intervalo, caprichosamente, o número de mandamentos dado no Egito. Embora essa analogia seja apenas homilética, totalmente livre, é uma coincidência daquelas que nos provoca a imaginação a viajar pelo tempo da história e rever as cenas do Sinai.

Praticamente mil anos haviam se passado, e o povo se afundou na lama do pecado a tal nível que sequer conseguiam perceber o quanto haviam descido.

Em contraste a tal condição, Deus exalta sua vontade ao remanescente fiel de escrever em seus corações Suas leis.

Uma coisa curiosa, se lembrarmos das últimas lições, é que a resposta de Deus desta vez foi pra que eles ficassem em Judá, sua terra, que Deus os protegeria.

Se não fosse trágico, diria que é irônico o cenário. Quando Deus diz para o povo se entregar pra Babilônia, eles querem defender a terra. Quando Deus diz que é pra ficar na terra que eles tanto queriam defender, eles decidem que é melhor fugir para o Egito. “Eita povinho difícil”

O mais curioso é a resposta que deram a Jeremias. Mesmo mil anos depois, eles repetem frases semelhantes às de seus ancestrais. Quando seus “Pais” saíram do Egito, bastaram alguns dias no deserto pra começarem a comparar o Deus de sua salvação com as divindades Egípcias que lhes davam panelas cheias. É insano pensar que aquele povo preferisse a escravidão à liberdade.

Mil anos depois e o povo volta a dizer ao servo de Deus, éramos mais felizes quando tínhamos outros deuses que não o seu Deus. Seu Deus só nos trouxe desgraça. Sendo assim, ouviremos nossos deuses e vamos para o Egito.

De volta ao lugar onde tudo começou. E ainda arrastam Jeremias com eles.

A história termina com mais uma profecia de Jeremias, advertindo que eles seriam capturados por Babilônia, e que o Egito não os protegeria. E assim foi.

O desafio final proposto por Deus, e a resposta louca daquela nação podem parecer distantes demais de nosso tempo, e talvez por isso, perca a força.

Necessitamos trazer esta experiência para o nosso tempo, e talvez, apenas talvez, encontremos uma série de advertências de Deus as quais, de modo mais rebuscado, com desculpas ou justificativas mais elaboradas, algumas inclusive recheadas de textos ou abordagens pseudo inspiradas, temos insistido em rejeitar.

A grande advertência desta semana reside em textos clássicos como: Hoje, se ouvirdes Sua voz, não endureçais o vosso coração.

Talvez existam pontos de vista em nossa vida hoje que precisam ser mudados, redirecionados ou transformados por completo. Talvez existam hábitos cristalizados que necessitem de modificação, mas, de algum modo, produzimos explicações ou desculpas para não modificá-los.

É possível que algumas de nossas desculpas apontem para as verdades para o tempo presente acusando tais verdades de serem radicais demais para nosso tempo, e estejamos buscando formas de amenizá-las ou contextualizá-las.

Talvez hoje Jeremias continue dizendo pra todos nós: Não, vocês não entendem…

O grande problema sobre a idolatria, é que a forma mais profunda desta prática, é a idolatria de nós mesmos. Não há nada mais difícil de se desapegar do que nossas próprias convicções, nossas próprias verdades.

Quebrar tudo isso dói demais, e nem todos estão suficientemente convictos, e consequentemente dispostos, a abdicar de si mesmos para seguir integralmente a Deus.

A história… bem … essa nós já conhecemos e sabemos onde deu.

Graças a Deus por que, se e enquanto estivermos vivos, nossa história pode ainda ser reescrita.

Que o verso desta semana na minha vida e na sua seja:

Que o Senhor seja uma testemunha verdadeira e fiel contra nós, caso não façamos tudo o que o Senhor, o NOSSO Deus, nos ordenar!

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